“Quando a vida não te pertence – Ana Torres”, (Texto 7 de 35)
Talvez
um pouco antes das duas, numa tarde sem vento, a temperatura acrescentou alguns
graus, mantendo-se o dia frio, mas reduzindo o desconforto.
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Os meus sentimentos… Não sabemos o que dizer, o Rodrigo trabalhou para nós nestes
últimos dois anos, era o nosso pilar e ainda não sabemos o que vamos fazer sem
ele. Uma pessoa genuinamente boa.
O
pai de Ana Torres, aparentemente por pena do jovem, mas ainda assim conhecendo
as suas valências profissionais e pessoais, contratara Rodrigo após o grande
escândalo, contra todas as recomendações da mulher e poucos meses depois,
acabou por se reformar e passar a empresa para as mãos da filha.
-
Consigo imaginá-lo à porta do paraíso a apresentar um report com todas
as oportunidades de melhoria, um plano de negócio e um controlo orçamental
plurianual.
Alguém
sorri e ela continua:
-
Só posso garantir que no paraíso as despesas vão baixar, as vendas vão subir, e
não tarda nada vai estar também a exigir um aumento salarial para os anjos.
Com
a crise financeira de 2010, a saúde financeira da Cadeia de Hotéis começou a
apresentar sinais de alerta e resistiu pouco mais de cinco anos. Rodrigo era um
dos três administradores e não foi capaz de evitar a entrada em insolvência e o
consequente deixar de cumprir as obrigações para com os muito credores, num
escândalo que chegou às primeiras páginas dos jornais.
Não
que alguma vez tenham assumido a culpa, as posteriores auditorias vieram a
provar que dois dos administradores há muito que andavam a desviar fundos e que
com sucesso conseguiram manter o estado das contas camufladas, até mesmo de
Rodrigo e não tivesse sido a pronta atuação deste no momento em que a bomba
estava prestes detonar, ao denunciar e colaborar com as autoridades desde o
primeiro segundo, ambos estariam neste momento muito provavelmente em qualquer
país do dito terceiro mundo, a viver uma vida de luxos.
O
Processo acabou por arrastar-se por três longos anos e apesar de Rodrigo ter
sido, já em tribunal, ilibado de qualquer responsabilidade, cento e oitenta
trabalhadores perderam o seu posto de trabalho e uma divida no valor de perto
de mil milhões de euros ficou por pagar à banca e a fornecedores, por projetos
e supostas construções que nunca viram o nascer da luz do dia.
De
Administrador da área do pessoal a simples administrativo, Rodrigo voltou a
encontrar rendimento numa pequena empresa de trabalho temporário, mas desta
feita, de regresso à sua área de estudos.
Nos
dois anos que por lá se manteve, a única progressão que acabou por sofrer
acabou por ser motivada pelo aumento forçado do salário mínimo.
-
A nossa relação com Rodrigo já vem de trás. A nossa empresa colaborava com o
hotel e para nós, o Rodrigo era família, um filho para o meu falecido pai e um
braço direito para mim. Não será esquecido, Deus dê paz á sua alma.
Um conto muito bem escrito que gostei de ler, embora, confesso, não seja a minha "praia".
ResponderEliminar.
Uma semana feliz …saudações cordiais
Poema: “” Um Monstro a Matar “”
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Pensamentos e Devaneios Poéticos
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Entendo perfeitamente, abraço e bom fim de semana
EliminarDizem, que depois de mortos, todos passamos a excepcionais. Vamos ver se o Rodrigo passa no crivo da hipocrisia de circuntância.
ResponderEliminarBoa tarde, João
Penso que já faltou mais... (sorrisos)
EliminarBeijinhos
A sua narrativa é excelente, muito cuidada e imaginativa.
ResponderEliminarSinto que estou a perder alguma coisa desta história porque parece-me que tem continuação e não é um conto isolado.
A verdade é que só visito os blogues uma vez por semana por falta de tempo para mais.
Uma boa semana com muita saúde.
Um beijo.
Eu entendo, Graça. É um dos motivos pelo qual considero ser tão difícil escrever contos na blogosfera (penso que em 2008 não era assim, mas nessa data tínhamos todos uns anos a menos e possivelmente mais tempo disponível…)
EliminarMuito obrigado pelas palavras, um beijo e boa semana
Qualquer semelhança com a realidade não terá sido mera coincidência??
ResponderEliminarSim, tem a sua "ponta" política... (sorrisos)
EliminarAbraço
Li ontem reli hoje, mas desta vez o comentário é muito mais pequeno do que a minha curiosidade. A propósito, onde para a irmã do Rodrigo que ainda não apareceu. É para aguçar ainda mais a nossa curiosidade, ou o mistério sobre a morte do irmão?
ResponderEliminarAbraço e saúde
Essa irmã vai dar “água pela barba” (sorrisos)
EliminarO tempo não tem sido muito nem para visitas nem para vos responder como merecem, mas depois do seu comentário de hoje, quero ter mais tempo para responder-lhe como merece.
Abraço e boa semana.
Olá,
ResponderEliminarConsiderações positivas de Ana Torres acerca de Rodrigo.
Uma noite feliz.
Um beijo e boa semana
EliminarOlá, João
ResponderEliminarMais um personagem deste seu conto, a falar de forma abonatória sobre Rodrigo Lobo. E embora ilibado em relação aos problemas da empresa parece que são coisas que deixam marcas.
Voltaremos a ouvir falar de Ana Torres? Pergunta, retórica, claro :)
Abraço
Olinda
Olá!
EliminarAinda estamos numa fase muito inicial do enredo e não posso adiantar muito (sorrisos)
Agora, posso adiantar que todas as personagens tiveram “avanços e recuos” no processo criativo e a Ana Torres… (não posso dizer- sorrisos).
Quando o conto acabar, prometo reler todos os comentários e tecer algumas considerações…
Pois, depois de morrer, são todos bons.
ResponderEliminarSerão?!
;)
Vamos ver... (sorrisos)
EliminarQuando li que estavam a fazer uma homenagem fúnebre ao Rodrigo, até fui ler o capítulo anterior para ver se me tinha escapado alguma coisa. Que lhe terá acontecido?
ResponderEliminarEm relação aquela oferta excepcional de emprego que lhe tinham oferecido, foi mesmo similar ao que aconteceu com a minha prima.
Agora vou ler os capítulos seguintes.
Abraços
Uns textos à frente já ficámos a saber a origem, não estando ainda bem claro o que motivou, nem se teve origem externa (sorrisos).
EliminarO conto já foi escrito faz umas 3 semanas a um mês e há partes que já não tenho assim tão presente, mas acredito que vamos voltar à parte da oferta extraordinária (quase que falei de mais – sorrisos – voltarei mais tarde a este ponto)
Sendo que eu partilho a visão algo utópica que trabalho e qualidade deveriam ter correspondência nas oportunidades de vida… e este conto, no que a isso diz respeito representa exatamente o contrário e que considero que existe muito no nosso mundo laboral. As oportunidades são para aqueles cujos conhecimentos pessoais lhes abrem portas e janelas.
E no que ao Rodrigo diz respeito, as qualidades para que tivesse sido um grande profissional estavam lá todas. Ainda assim, o que o fez ter chegado onde chegou foi tão-só uma oferta e ainda está por explicar o que terá estado na origem deste “almoço grátis” (sorrisos).
Muito obrigado.
Abraço, obrigado e bom fim de semana
E cá continuo eu a gostar do que leio.
ResponderEliminarAlma para Almeida :)
Brisas doces*